Multiculturalismo e Formação de Professores: uma análise da inclusão socioeducacional dos alunos do curso Técnico em Pesca do IFES - Campus Piúma

  • Natalia Lima Netto
  • Leonardo Salvalaio Muline
  • Vicente de Paulo Santos de Oliveira

Resumo

A pesca artesanal é responsável por empregar mais de 90% dos 35 milhões de pescadores (FAO, 2010), sendo assim, estima-se que o consumo de pescado na América Latina crescerá 33% até 2030 (FAO, 2018). Apesar do crescimento da produção pesqueira, essa classe enfrenta problemas no que se refere às condições de trabalho, escolarização e acesso aos serviços sociais decorrentes das desigualdades sociais, causadas pela lógica capitalista que gera a exclusão dos grupos minoritários. Desse modo, a instituição escolar repercute os mecanismos de opressão cometidos a esse grupo, visto que a sociedade é marcada pelo antagonismo de classe. Nessa perspectiva, é preciso pensar em uma formação docente na perspectiva da diversidade cultural, com abordagens de práticas educativas inclusivas, no intuito de romper com a cultura hegemônica. Destarte, o multiculturalismo se insere como um possível caminho para a inclusão das diferenças no ambiente escolar, pois tem em seu bojo a luta pelo reconhecimento social das identidades marginalizadas e a defesa pela igualdade de direitos. Portanto, a presente pesquisa tem por objetivo analisar as práticas educativas dos professores do curso Técnico em Pesca, do IFES - Campus Piúma, à luz do multiculturalismo. Para sua realização, o percurso metodológico consistirá na abordagem qualitativa, de natureza descritiva, por meio de levantamentos bibliográficos, análise documental e aplicação de questionários semiestruturados ao coordenador do curso e aos alunos e professores do quarto ano. O produto educacional consistirá em oficinas com o objetivo de fortalecer o sentimento de pertencimento cultural dos alunos e a conscientização dos professores sobre a importância da utilização de estratégias didáticas que enalteçam as diferentes manifestações culturais e a problematização das relações de poder que constituem o meio social em prol da superação das desigualdades sociais e o comprometimento com uma educação democrática que possibilite ao aluno ser um agente de transformação social. A pesquisa encontra-se em fase inicial, portanto, ainda não apresenta resultados. Contudo, a partir dos referenciais teóricos é possível evidenciar o avanço no que se refere às políticas públicas voltadas para a diversidade cultural, em contrapartida a ausência de políticas consistentes para a formação de professores na EPT. Logo, entre avanços e recuos o cenário da educação brasileira é alarmante, no qual nos convida a lutarmos por uma educação justa e igualitária.
Publicado
23-06-2021
Seção
Banner - Educação e Ciências Sociais