AVALIAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO DA MICROBIOTA INTESTINAL DE AEDES AEGYPTI NA DIGESTÃO SANGUÍNEA

  • Luciane Oliveira Silveira
  • Francisco José Alves Lemos
  • Desiely Silva Gusmão
Palavras-chave: Aedes aegypti, Digestão de sangue, Serratia sp.

Resumo

Microrganismos associados a insetos podem desempenhar um importante papel na epidemiologia de doenças infecciosas humanas. Uma vez que o papel do microrganismo é descoberto, este pode ser modificado de forma que a fisiologia do inseto seja afetada e,consequentemente, a transmissão da doença. A primeira barreira anatômica para o estabelecimento do vírus da dengue no Ae. aegypti é o intestino médio, local dearmazenamento e digestão do sangue infectado. A capacidade de invadir ou não o órgão é determinante na entrada do vírus no organismo do vetor e, portanto, na capacidade vetorial. Bactérias simbiônticas presentes no intestino podem bloquear o desenvolvimento de patógenos como tem sido demonstrado em vetores de Leishmania, T. cruzi e Plasmodium. Por microscopia eletrônica de varredura foi observado que em 48h após a ingestão de sangue, o intestino de fêmeas é preenchido por bactérias. Essas foram isoladas e identificadas, sendo a bactéria Serratia sp. a mais abundante. Através do cultivo em meioBHI/sangue, verificou-se que Enterobacter sp. e Serratia sp. apresentam atividade hemolítica. O cultivo desses microrganismos em meio agar/gelatina/leite em pó permitiu a detecção de atividade proteolítica em isolados de Serratia. A administração de espectinomicina provocou a redução da microbiota de fêmeas. Os ovos de fêmeas tratadas com o antibiótico foram transferidos dois dias após a oviposição para a água, mas não foi verificada eclosão larval. Foi feita contagem, em câmara de Neubauer, de eritrócitos presentes em intestino 48h após a ingestão de sangue. Verificou-se que a redução da microbiota afetou a lise dos eritrócitos, indicando que as bactérias contribuem com a digestão do sangue. Sobrenadantes de cultura de Serratia sp. foram analisados em eletroforese SDS-PAGE, sendo observada presença de uma banda. Ensaios enzimáticos serão realizados para verificar se a atividade proteolítica detectada se deve a secreção de tripsina pelas bactérias. Além de colaborarem na digestão de sangue e nutrição do mosquito, é provável que as bactérias intestinais influenciem o tempo de incubação do vírus da dengue no mosquito. Portanto, experimentos deverão ser conduzidos para o esclarecimento da relação bactéria/mosquito/vírus.