ETNOECOLOGIA DA BALEIA FRANCA (EUBALAENA AUSTRALIS DESMOULINS, 1822) ATRAVÉS DA PERCEPÇÃO DE PESCADORES ARTESANAIS NA APA DA BALEIA FRANCA, SC, BRASIL

  • Camila Ventura da Silva
  • Mônica Pontalti
  • Mônica Lauriano Danielski
  • Camilah Antunes Zappes
  • Ana Paula Madeira di Beneditto
Palavras-chave: Cetacea, Comportamento de cetáceos, Pesca artesanal

Resumo

Pescadores artesanais podem fornecer com base no seu conhecimento empírico informações sobre a biologia e a ecologia das espécies de cetáceos, já que a prática da pesca permite o contato diário com os animais. O objetivo deste estudo é descrever o conhecimento local exibido pelos pescadores artesanais em relação à etnoecologia comportamental da baleia franca (Eubalaena australis) na Área de Proteção da Baleia Franca (APA da Baleia Franca), Santa Catarina. Em outubro de 2010 foram realizadas 33 entrevistas etnográficas através do método bola-de-neve, que incluíam perguntas abertas e fechadas sobre a ecologia e biologia da espécie e a relação desta com a pesca artesanal. A seleção dos entrevistados que identificam a baleia como pertencente à espécie E. australis ocorreu através das descrições de coloração preta com manchas brancas no ventre e calosidades na cabeça de cor branca ou amarelada, tamanho corporal até 17m padrão de distribuição (adultos entre 100 e 1500m da linha de costa e grupos de fêmeas com infantes em profundidades em torno de 5-10m da costa) e comportamento; comparando com os dados de literatura. Foram selecionados 27 pescadores: Gamboa (N=10) e Garopaba (N=17). O comportamento mais descrito para adultos e infantes foi ‘berrar’ (N=11) para Gamboa e ‘nadar’ (N=7) para Garopaba, em que alguns pescadores apontaram mais de uma categoria comportamental. ‘Berrar’ está relacionado ao repertório acústico exibido durante os eventos de interação próximos à praia o que explica ser o comportamento mais identificado em Gamboa. Nesta área os pescadores trabalham com rede de tarrafa na praia o que possibilita as observações relacionadas à vocalização do animal. Já em Garopaba os pescadores trabalham embarcados e observam com maior freqüência as atividades de natação dos animais. Os comportamentos mais observados estão relacionados com a área em que a pesca é praticada (costa e áreas adjacentes). A aproximação com a comunidade pesqueira poderá auxiliar na elaboração de estratégias de pesca que visem à conservação da baleia franca e a manutenção da atividade na região.
Publicado
16-04-2013