COMPARAÇÃO DA DISPERSÃO DO VÍRUS DA RAIVA EM DIFERENTES ÓRGÃOS DE CAMUNDONGOS INOCULADOS COM CEPA DA VARIANTE 3 E COM CEPA PADRÃO DE LABORATÓRIO

  • Marcos Aurélio Dias Meireles
  • Luiz Fernando Pereira Vieira
  • Thiago Bernardo Pedro
  • Sílvia Regina Ferreira Gonçalves Pereira
Palavras-chave: Lyssavirus, Movimentação centrífuga, Patogênese viral

Resumo

A raiva é doença causada por um vírus (Lyssavirus) que atinge o sistema nervoso central (SNC). Do SNC, o vírus se replica e segue centrifugamente para o sistema nervoso periférico, as glândulas salivares e alcança diferentes órgãos. O objetivo deste trabalho é avaliar a patogênese da cepa EF428577 VAg3 isolada de Desmodus rotundus no município de Quissamã-RJ por Vieira (2007). A dispersão viral, em diferentes órgãos de camundongos inoculados, será comparada com a da cepa padrão CVS (vírus fixo). Quatro grupos de 10 camundongos adultos machos da linhagem Swiss albino foram inoculados com uma suspensão a 20% de cérebro infectado com vírus da raiva. Dois grupos com a cepa CVS e dois grupos com a cepa EF428577 VAg3. Para cada tipo de cepa foram utilizadas duas vias de inoculação, intracerebral e intramuscular. Após a morte dos camundongos foram extraídos coração, pulmão, glândula salivar, língua, rim e bexiga, para pesquisar a presença do vírus nestes órgãos, por meio de prova biológica seguida de imunofluorescência direta dos camundongos que morreram. O teste de Qui-Quadrado foi realizado para comparar a frequência de infecção de cada órgão em relação às duas cepas virais. Tanto a cepa padrão de vírus fixo (CVS) quanto à cepa da variante antigênica 3 (EF428577 VAg3) levaram a óbito todos os camundongos inoculados pela via intracerebral. A variante 3 mostrou-se patogênica, contudo, em comparação à cepa padrão (tanto por inoculação via intracerebral quanto por via intramuscular) foi necessário maior período de infecção para causar o óbito. A dispersão da cepa padrão para além do SNC foi detectada em 100% das amostras de língua e em 25% das amostras de coração. Nos demais órgãos, não foi possível detectar a presença do vírus da raiva. Os experimentos com a variante 3 e sua dispersão centrífuga para os órgãos, em camundongos, continuam em andamento. Os resultados preliminares com a cepa padrão CVS indicam uma baixa dispersão do vírus para órgãos fora do SNC. A variante 3 possui grande importância devido à capacidade de infecção apresentada em laboratório. A completa avaliação da dispersão da variante 3 para os órgãos ainda está sendo realizada.
Publicado
14-05-2013