PARTICIPAÇÃO PLURAL E "VIOLÊNCIA URBANA": VARIAÇÕES DE VOZES DOS CONSELHOS COMUNITÁRIOS DE SEGURANÇA PÚBLICA (CCS) E NO CAFÉ COMUNITÁRIO DE CAMPOS

  • Natáli Barros Rodrigues
  • Bruno Nogueira Viana
  • Marcelly Gomes de Paula
  • Viviany Férras da Motta dos Santos Soares
Palavras-chave: participação, segurança pública, espaço público

Resumo

Este trabalho integra o projeto Direitos Humanos e Vida Cotidiana: Pluralidade de lógicas e “Violência Urbana”, coordenado por Jussara Freire, financiado pela FAPERJ. Neste trabalho, propomos descrever e interpretar as reuniões ordinárias (do ano de 2010) do CCS e do Café Comunitário de Campos de Goytacazes. Analisaremos as dificuldades de tomada de voz de quatros tipos de conselheiros nestas situações (moradores, gestores, policiais e “elites”). Realizamos uma etnografia dos Cafés Comunitários e das reuniões dos CCS durante um ano. Atualmente, estamos realizando entrevistas semi-estruturadas e não diretivas com os conselheiros. As reuniões foram sistematicamente gravadas, transcritas e analisadas. Buscamos nos focalizar na descrição de competências mobilizadas pelos atores para que suas vozes sejam ouvidas e reconhecidas, isto é, identificar os requisitos críticos e morais para acessar o espaço público. Os CCS foram criados para promover a participação dos diversos atores sociais que tematizam a segurança pública (Souza Teixeira, 2005). No entanto, observamos que a participação dos atores está relacionada com a possibilidade de suas vozes serem ouvidas e reconhecidas, o que não verificamos para todos. Os Cafés Comunitários visam à aproximação entre gestores, sociedade civil e profissionais (como os policiais). Nas nossas observações, em Campos, percebemos tensões, por vezes fortes, entre os diversos atores sociais que compartilham esta situação. A presença de alguns atores e suas “performances” no espaço público podem inibir a tomada de palavra de outros conselheiros, mais vulneráveis. Associações de moradores apresentam dificuldades de se “ajustar” à gramática dos cafés e dos CCS, sendo muitas vezes silenciadas por outros atores. Este aspecto esvazia o espaço de atores populares e dificulta a tomada de voz, reforçando uma proximidade entre gestores, elite local e polícia.
Publicado
25-06-2013