GOSTO SE DISCUTE?

  • Heitor Benjamim Campos
  • Jussara Freire
Palavras-chave: cinema, gosto, comunidade discursiva

Resumo

Esta pesquisa tem como objetivo analisar diversos aspectos da relação que o campista tece com o cinema. O cinema é tratado como uma linguagem cuja estrutura narrativa pode ora favorecer empatia, ora despertar ódio e repulsões com certos tipos de filmes. Em outros termos, buscamos entender como o contato com gêneros cinematográficos pode estimular ou, ao contrário, inibir uma relação com uma forma artística. A pesquisa se enquadra no projeto de extensão “Projeto Unidade C: Comunicação e Cultura”, coordenado por Jussara Freire e financiado pelo CNPq, no qual coordenei uma oficina de cinema para moradores de Campos dos Goytacazes. Exibia um filme e debatia do conteúdo com os alunos. Nestas sessões, iniciei uma descrição de situações inspirada na etnometodologia: filmei todas as sessões para analisar as emoções e reações dos alunos. Com este mesmo procedimento, analisarei, em situação de exibição em salas, a atenção do espectador e a sua avaliação após o filme. A análise das seqüências de situações analisadas apresenta uma nítida relação entre a atenção dos alunos com o tipo de narrativa fílmica assistida. Pode-se observar uma variação muito importante que resulta da relação entre os tipos de narrativas com as empatias provocadas pelos alunos. A religião tem um papel de destaque na definição do gosto por um filme e na escolha dos filmes assistidos. Assim, entendemos a recepção da narrativa e a moral cristã não como características individuais, mas como construções sociais partilhadas pelo espectador com sua comunidade discursiva. Um ator social se comunica com um filme de acordo com as práticas sociais partilhadas intersubjetivamente com os demais membros de sua comunidade discursiva. A interpretação que ele faz de um filme depende dos ambientes religiosos, familiares, educacionais e de outras práticas cotidianas.
Publicado
25-06-2013