A MATÉRIA ORGÂNICA DISSOLVIDA NA INTERFACE CONTINENTE - OCEANO: UMA ABORDAGEM BIOGEOQUÍMICA NO SISTEMA ESTUARINO DO RIO PARAÍBA DO SUL, ESTADO DO RIO DE JANEIRO

  • Phillipe Mota Machado
  • Wendel Carlos de Sá Azevedo
  • Carlos Eduardo de Rezende
Palavras-chave: Matéria Orgânica, Rio Paraíba do Sul, Biogeoquímica

Resumo

O Rio Paraíba do Sul (RPS) recebe despejos de efluentes domésticos e industriais, que são lançados no rio sem tratamento. A biogeoquímica possui abordagens que considera a estrutura e o funcionamento dos ecossistemas. O registro quantitativo dos compostos orgânicos são importantes para estudos sobre produtividade primária, fluxo de material terrestre, mudanças climáticas e presença de poluentes. Este trabalho tem como objetivo caracterizar a dinâmica espacial de compostos orgânicos no RPS. As amostras de água foram coletadas em fevereiro e março de 2008, sendo 20 e 27 amostras coletadas respectivamente. As medidas de profundidade, temperatura da água, condutividade elétrica, pH e oxigênio dissolvido (OD) foram realizadas in situ, através de equipamentos portáteis. A determinação de carbono orgânico dissolvido (COD) foi realizada através de um analisador de carbono orgânico total (Shimadzu, TOC-5000), enquanto a determinação de carboidratos foi realizada através da técnica de reação colorimétrica fenol-ácido sulfúrico (Dubois et al., 1956). Os dados medidos e estimados foram todos tabulados, considerando média, desvios padrão e intervalos de variação. Através dos valores de condutividade elétrica propusemos 4 compartimentações. A temperatura aumentou entre o RPS e seu estuário superior, no estuário externo houve um decréscimo da temperatura, coincidente com águas marinhas. Os maiores coeficientes de variação ocorreram no estuário superior e médio, pois esses ambientes são muito dinâmicos. Os valores de OD apresentaram menor concentração na superfície que no fundo, retratando que o consumo de oxigênio pela microbiota é maior na superfície. Ocorreu uma diminuição de COD no sentido continente-oceano. A concentração média de carboidratos foi de 4,12 mg.L-1 a 1,45 mg.L-1, indicando o maior aporte de carboidratos do continente para o oceano. A redução das concentrações de carboidrato e COD ao longo do gradiente horizontal e vertical, associada às massas d’água fluvial e marinha, mostra a importância destas escalas de estudo nos processos de transformação da quantidade e qualidade da matéria orgânica exportada para a região costeira.
Publicado
22-11-2010