AVALIAÇÃO ETOLÓGICA DE TRINCA-FERRO (SALTATOR SIMILIS) EM CONDIÇÕES SEMI-CATIVAS

  • Laila da Silva Asth
  • Roberta Silva Santos
  • Carlos Ramon Ruiz Miranda
Palavras-chave: Aves, Comportamento animal, Territorialidade

Resumo

As populações naturais de S. Similis vêm sendo dizimadaspelo extrativismo. Dentre as poucas informações disponíveis sobre esta espécie, sabe-se que não apresenta dimorfismo sexual e sua locomoção se dá principalmente por saltos. Os objetivos do trabalho incluem elaborar um etograma, verificar o grau de territorialidade e determinar o uso de espaço da espécie. Estas informações são necessárias para o manejo desta ave em cativeiro, para a qual não há estudos formais de comportamento. Realizaram-se 181,23 horas de observação durante visitas ao Parque Natural Municipal dos Pássaros em Rio das Ostras, RJ, de maio à dezembro de 2008. Inicialmente, havia 3 indivíduos no viveiro (2 machos, 1 fêmea), e ao longo do estudo foram introduzidas mais 4 aves (2 machos, 2 fêmeas). Os trinca-ferros foram observados através dos métodos focal instantâneo e focal todas ocorrências, com sessões de 30 minutos nas quais foram registrados todos os cantos e perseguições, e a cada 5 min foram anotados os comportamentos e a localização da ave no viveiro. Os indivíduos foram diferenciados através de anilhas coloridas em suas patas. Registrou-se trinta e cinco comportamenosorganizados em sete categorias visuais (Manutenção, Locomoção, Alimentação, Alerta/alarme, Contato social agonístico, Contato social não-agonístico e Reprodução), uma categoria sonora (Comunicação) e uma categoria outros. Apesar de não ser observada divisão de territórios exclusivos, machos iniciaram 3 vezes mais perseguições que fêmeas, estas dirigidas a machos. Além disso, apenas o trinca-ferro residente no viveiro cantou e esteve envolvido na aparente formação de casal durante a época reprodutiva, sendo também o que apresentou maior porcentagem de perseguições iniciadas com os outros machos (34%) e aproximações as fêmeas (32.4%). S. similis apresentou uma conduta condizente com a esperada para animais territoriais: machos intolerantes e agressivos com outros machos. O comportamento do macho residente sugere que o viveiro todo é o território desse macho, que inibiu o canto e formação de casal nos outros indivíduos.