DINOFLAGELADOS EPÍFITOS EM ARRAIAL DO CABO: DISTRIBUIÇÃO TEMPORAL E ABUNDÂNCIA EM DIFERENTES ESPÉCIES DE MACROALGAS

  • Annaliza Carvalho Meneguelli de Souza
  • Silvia Mattos Nascimento
Palavras-chave: Ostreopsis ovata, Dinoflagelados epi-bentônicos, . Florações nocivas

Resumo

 Em Arraial do Cabo, florações de Ostreopsis ovata ocorreram no verão de 1999 e 2002 causando envenenamento e morte com um análogo da palitoxina de ouriços marinhos, (Echinometra lucunter). Em dezembro de 2006 outra floração foi reportada no local. Este estudo tem por objetivo identificar e quantificar os dinoflagelados epífitos e bentônicos associados à macroalgas na enseada do Forno, bem como comparar sua abundância nas diferentes espécies de macroalgas presentes na área. Foram realizadas coletas com frequência mensal na região costeira de Arraial do Cabo, no período de março a outubro de 2007. As macroalgas foram coletadas e agitadas manualmente em sacos plásticos com volume conhecido de água do mar filtrada para separação de organismos epífitos. A suspensão de epífitos foi preservada com lugol neutro a 1% e as células foram identificadas e contadas em microscópio ótico invertido usando câmara de sedimentação, seguindo o método de Utermohl. A temperatura e a salinidade da água foram medidas no momento da coleta. Os dados de precipitação pluviométrica e temperatura do ar foram obtidos a partir da estação meteorológica da praia dos Anjos, em Arraial do Cabo. Foram analisadas amostras de Amphiroa spp. + Jania capillacea (n=52), Codium spp. (n=16) e Spyridia aculeata (n=13). Em todas as macroalgas analisadas O. ovata foi a espécie dominante seguida por Prorocentrum lima. O. ovata esteve presente em 92%, 94% e 100% das amostras, respectivamente, enquanto P. lima foi encontrado em 59%, 88% e 80% delas. Nas amostras de abril O. ovata apresentou a densidade mais elevada, variando entre 3394 e 8921 céls.g PU de macroalga-1. Outras espécies foram encontradas em densidades menores, como P. emarginatum, P.micans, P. rhatymum, Prorocentrum sp., Amphidinium sp., Coolia sp. e Gambierdiscus sp., que é aqui reportado pela primeira vez em Arraial do Cabo. A elevada densidade de O. ovata no mês de abril foi associada a temperatura da água (26,5 ºC), a maior encontrada durante o período analisado. Estudos prévios na região associaram florações de O. ovata a períodos de elevada temperatura da água, como observado em abril de 2007.