DISTRIBUIÇÃO DE METAIS PESADOS EM CALLINECTES BOCOURTI DA LAGOA DE MANGUABA (AL).

  • Iara da Silva de Almeida
  • Pedro Américo Severonico Higino
  • Carlos Eduardo Veiga de Carvalho
Palavras-chave: Metais, sazonalidade, crustáceos

Resumo

Metais pesados são elementos que, quando em altas concentrações em ecossistemas aquáticos podem se tornar tóxicos para os organismos, além disto, estes elementos apresentam elevada persistência no ambiente. Desta forma o presente estudo visou determinar a variação sazonal (estação seca x úmida) da concentração de metais em tecido muscular de Callinectes bocourti. Além disto, as concentrações obtidas foram comparadas com os valores máximos permitidos para consumo humano estabelecidos pela ANVISA.Os organismos foram comprados de pescadores locais na Lagoa de Manguaba em Março/2007 (período chuvoso) e Setembro/2007 (período de estiagem). Os crustáceos foram dissecados e pesados em triplicata. As amostras foram deixadas em overnight com 10ml (HNO3 conc.) por amostra e colocadas em tubos de ensaio em bloco digestor à temperatura de 60º-150 ºC. Após a total solubilização, os extratos foram evaporados até quase a secura e retomados com 10 ml de HNO3 0,5M. Os extratos foram filtrados e seus volumes aferidos com HNO3 0,5M a 20 ml. Para a determinação dos metais (Cd, Cr, Cu, Ni, Pb, Zn) foi utilizado o ICP AES (VARIAN, modelo Liberty II). Os metais Cr, Ni, Cd e Pb ficaram abaixo do limite de detecção do método utilizado. Março (estação seca) apresentou os maiores valores de Cu (11,7 ± 5,8 ?g.g-1) seguidos do mês de setembro (estação chuvosa) (7,0 ± 3,1 ?g.g-1). Para metais associados à entrada via esgoto urbano, ocorre um efeito de diluição devido ao maior volume de água na lagoa, causando um decréscimo nos valores. Os valores mais elevados de Zn ocorreram no período chuvoso (27,0 ± 2,9 ?g.g-1) ao invés do seco (25,1 ± 6,1 ?g.g-1). Este fato é devido ao aumento do escoamento superficial induzido pela elevação da precipitação, aumentando os valores em casos de metais com fonte natural ou agrícola (Carvalho et al., 2002). O comportamento do Cu e Zn sugere que um está relacionado ao aporte via escoamento superficial e o outro via esgoto urbano. Comparando os valores do presente estudo com o máximo permitido para consumo humano pela ANVISA, conclui-se que o consumo desses organismos não oferece risco à saúde humana.