INTERAÇÃO DE CRITHIDIA DEANEI, TOXOPLASMA GONDII OU LEISHMANIA AMAZONENSES INDUZEM CORPOS LIPÍDICOS EM MACRÓFAGOS

  • João Roberto Neto
  • Laura Azeredo Miranda Mota
  • Renato Augusto DaMatta
Palavras-chave: Corpos lipídicos, macrófagos, protozoários

Resumo

Corpos lipídicos (CL) são organelas citoplasmáticas ricas em lipídios e, em pequeno número, são constituintes normais de células. Macrófagos infectados por Mycobacteria smegmatis ou Trypanosoma cruzi ou que interagiram com células apoptóticas apresentam mais CL. O aumento do número e do volume de CL nas células depende de sinalização específica. Para verificar se outros microrganismos induzem geração de CL, a quantidade dessa organela foi avaliada em macrófagos após interação com protozoários. Leishmania amazonenses e Crithidia deanei foram cultivadas em meio Warren´s contendo 10% de soro fetal bovino por 3 e 8 dias; as cepas RH e ME-49 de Toxoplasma gondii foram obtidas através de lavado peritoneal de camundongo infectado ou de culturas de células VERO, respectivamente. Como controle da biogênese de CL foi usado levedura autoclavada. Macrófagos obtidos de lavado peritoneal de camundongos Suíços foram semeados por 1 h, interagiram com esses microrganismos por 2 h e foram cultivados em Dulbecco’s Modified Eagle’s Medium suplementado com 2% de soro fetal bovino. Após 24 h os macrófagos foram fixados, os CL marcados com a sonda fluorescente vermelho de Nilo, observados e quantificados no microscópio de fluorescência. A interação de macrófagos com L. amazonensis, C. deanei e T. gondii induziu a formação de CL no macrófago. L. amazonensis e C. deanei cultivada por 8 dias geraram maior quantidade de CL em relação às de 3 dias. Os CL de macrófagos que interagiram com L. amazonensis e C. deanei cultivadas por 3 dias foram menores em relação aos de 8 dias. Não houve diferença na indução de CL em relação às duas cepas de T. gondii. Levedura não induziu CL. Acreditamos que a indução de CL nos macrófagos que interagiram com esses protozoários está associada à exposição de fosfatidilserina na membrana plasmática desses microrganismos. Essa hipótese será testada mais afundo em futuros experimentos.