O lugar da negritude nas políticas do Estado brasileiro: faces persistentes de uma presente ausência

Palavras-chave: Negritude, Racismo estrutural e institucional, Mito da democracia racial, Estado brasileiro

Resumo

O presente artigo retoma apontamentos sobre a formação social brasileira no que se refere à relação entre o Estado e a população negra, considerando os traços da heteronomia, autoritarismo e violência sistemática conferidos a esse segmento no Brasil. Apresenta como tal face e se reedita na particularidade do país como condição sine qua non para a relação de dependência e subordinação ao grande capital mundial. Evidencia a funcionalidade do mito da democracia racial que falseia a condição de cidadania dessa parcela da sociedade por meio do (não) acesso aos direitos e políticas públicas. Considera as permanências e a busca de rupturas que possibilitem o tensionamento do Estado na direção da superação do racismo, seus desafios e limites na superação da sociedade de classes.

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Biografia do Autor

Maria Helena Elpidio, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Vitória/ES
Doutora em Serviço Social pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (2015). Professora adjunta do departamento de Serviço Social da Universidade Federal do Espírito Santo e do Programa de Pós-graduação em Política Social da Universidade Federal do Espírito Santo – Vitória/ES – Brasil. E-mail: lenaeabreu@gmail.com.  

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Publicado
31-12-2020
Como Citar
ELPIDIO, M. H. O lugar da negritude nas políticas do Estado brasileiro: faces persistentes de uma presente ausência. Revista Vértices, v. 22, n. Especial, p. 834-850, 31 dez. 2020.
Seção
Dossiê Temático: "Violência de Estado e política social"