É pra falar de gênero sim: considerações teóricas e práticas sobre a importância de uma educação antissexista nos institutos federais

Palavras-chave: Antissexista, Educação, Escola Pública, Gênero, Diversidade

Resumo

A escola não é um espaço neutro, ela é povoada por sujeitos que possuem marcas de identidade de gênero, raça, classe e orientação sexual, entre outras. A negação de que vivemos numa sociedade que explora e exclui mulheres, negros, a população LGBTQIA+, os pobres, mostra como a escola pode ser o local onde essas opressões são perpetuadas. A educação sexista cria e dissemina as opressões ao mesmo tempo que é calcada nelas; por conseguinte, não pode ser uma educação libertadora, como defendida por Paulo Freire. Porém, a educação pode e deve ter um papel importante a desempenhar no combate às desigualdades e na construção de uma sociedade mais justa. Por isso, é fundamental discutirmos as teorias e práticas de uma educação antissexista. Através de uma análise bibliográfica sobre o tema e relato de experiências no âmbito do Instituto Federal Fluminense, pautaremos a metodologia desse artigo. O objetivo principal deste trabalho é se debruçar sobre ações concretas de uma educação feminista, libertária e afirmativa, que traz à tona as angústias subjetivas e os conflitos coletivos que, desde muito antes da pandemia, afligem-nos e que deixarão marcas profundas em nossa geração.

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Biografia do Autor

Alice de Araujo Nascimento Pereira, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFFluminense) Campus Macaé, Macaé/RJ
Mestre em Letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Professora do Ensino Básico e Técnico no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFFluminense) Campus Macaé/RJ - Brasil. E-mail: aliceanp6@gmail.com.
Camila França Barros, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFFluminense) Campus Macaé, Macaé/RJ
Especialista em Linguística aplicada ao ensino da língua inglesa pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Professora do Ensino Básico e Técnico no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFFluminense) Campus Macaé/RJ - Brasil. E-mail: camila.fbarros@gmail.com.
Olivia de Melo Fonseca, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFFluminense) Campus Macaé, Macaé/RJ
Doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense (2017). Professora do Ensino Básico e Técnico no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFFluminense) Campus Macaé/RJ - Brasil. E-mail: oliviamelo@gmail.com.  

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Publicado
26-08-2021
Como Citar
PEREIRA, A. DE A. N.; BARROS, C. F.; FONSECA, O. DE M. É pra falar de gênero sim: considerações teóricas e práticas sobre a importância de uma educação antissexista nos institutos federais. Revista Vértices, v. 23, n. 3, p. 671-683, 26 ago. 2021.
Seção
Dossiê Temático: "Questões contemporâneas da educação no Brasil e em Portugal"