A PM 44, o microfone, a nação angolana e a voz feminina

Palavras-chave: Deolinda Rodrigues, Eva Rap Diva, Literatura angolana, Escrita feminina

Resumo

Uma vez conquistado o lugar da nação, a mulher procura o seu lugar na nação. Estas posições serão retratadas através da voz de Deolinda Rodrigues, guerrilheira do maquis e de Eva Rap Diva, rapper angolana. Enquanto a guerrilheira, na luta pela conquista do lugar da nação, silencia a sua voz num diário em prol de uma libertação coletiva, a rapper projecta-a com o microfone, marcando o seu lugar na nação. Ao causar interrupções no discurso dominante, a rapper possibilita novas construções identitárias na nação angolana, que se quer continuamente independente de restritivas amarras engendradas.

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Biografia do Autor

Solange E. Luis, Instituto Superior de Ciências da Educação da Huíla, Lubango
Doutora em Literatura dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa pela Universidade de Coimbra, Portugal. Professora Assistente no Instituto Superior de Ciências da Educação da Huíla – Lubango – Angola. E-mail: luissolange@hotmail.com.

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Publicado
04-04-2022
Como Citar
LUIS, S. E. A PM 44, o microfone, a nação angolana e a voz feminina. Revista Vértices, v. 24, n. 1, p. 44-68, 4 abr. 2022.
Seção
Dossiê Temático: "Literaturas africanas de língua portuguesa"