Conservação ambiental e conflito social na Amazônia

  • Andre Augusto Pereira Brandão Universidade Federal Fluminense (UFF)
  • Amanda Lacerda Jorge Universidade Federal Fluminense (UFF)
Palavras-chave: Populações tradicionais, Preservação ambiental, Unidades de conservação

Resumo

Este artigo sintetiza resultados de pesquisas desenvolvidas junto a comunidades tradicionais ribeirinhas situadas no município de Oriximiná no oeste do estado do Pará. Objetivamos compreender a relação entre populações tradicionais e órgãos ambientais em unidades de conservação ambiental e em áreas não especialmente protegidas na Amazônia. Desenvolvemos a pesquisa em comunidades quilombolas que ocupam áreas de floresta às margens do Rio Trombetas, situadas em unidades de conservação do Governo Federal (a Reserva Biológica do Rio Trombetas e a Floresta Nacional Saracá-Taquera) e comunidades de várzea situadas às margens do rio Nhamundá, que não se encontram em áreas especialmente protegidas. As primeiras vivem um difícil cotidiano de conflito com os órgãos ambientais, já as segundas produziram importante processo de organização coletiva e cooperação com esses órgãos para a fiscalização conjunta de suas unidades de recursos. Mostraremos como a forma de conceituar unidades de proteção pode promover conflitos e acentuar situações de vulnerabilidade frente à forma típica de reprodução social das populações tradicionais da Amazônia brasileira.

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Biografia do Autor

Andre Augusto Pereira Brandão, Universidade Federal Fluminense (UFF)
Sociólogo, Doutor em Ciências Sociais. Professor do Programa de Estudos Pós-graduados em Política Social da UFF. E-mail: aapbuff@globo.com
Amanda Lacerda Jorge, Universidade Federal Fluminense (UFF)
Socióloga, Mestre em Desenvolvimento Social. Doutoranda em Política Social pela Universidade Federal Fluminense. E-mail: amandalacerdajorge@hotmail.com

Referências

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Publicado
27-07-2015
Como Citar
BRANDÃO, A. A. P.; JORGE, A. L. Conservação ambiental e conflito social na Amazônia. Revista Vértices, v. 17, n. 1, p. 133-147, 27 jul. 2015.
Seção
Artigos Originais