Como acolher os estudantes Ciganos na escola pública? Do reconhecimento da alteridade a uma pluralidade de arranjos discriminatórios

Palavras-chave: Questionário por cenários, Semântica da ação, Ciganos Portugueses, Estudantes do ensino médio, Grande Lisboa

Resumo

No quadro europeu de uma aposta estratégica em sociedades cada vez mais escolarizadas e inclusivas, o desafio da presença de diferentes culturas nas escolas requer a implementação de políticas que promovam a não discriminação. No entanto, os ciganos Portugueses constituem-se ainda como um grupo cultural e étnico aparentemente imune aos objetivos destas políticas, em virtude do enorme preconceito social e histórico que impende sobre os seus membros. Neste sentido, foi realizada uma investigação visando colocar à prova um conjunto de possibilidades relativas à melhor forma de acolher estudantes ciganos na escola pública. Foram inquiridos 700 alunos não ciganos de 3 escolas do ensino médio da Grande Lisboa. Seguindo a perspetiva de uma sociologia eminentemente compreensiva, foi mobilizado um questionário baseado em cenários com o objetivo de captar junto dos estudantes não ciganos a forma mais conveniente da escola acolher estudantes ciganos discriminados numa outra escola. Os resultados mostram que, para a maioria dos inquiridos, os ciganos devem ser socializados através de procedimentos táticos, ou individualizados por meio de dispositivos morais ou funcionais de modo a serem convenientemente assimilados.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Pedro Jorge Caetano, CICS.NOVA - Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa
Doutor em Sociologia da Cultura, do Conhecimento e da Educação pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH/NOVA). Investigador na Universidade Nova de Lisboa, Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais – Lisboa – Portugal. E-mail: caepedro@gmail.com.  
Maria Manuela Mendes, Iscte - Instituto Universitário de Lisboa, Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, Lisboa
Doutora em Ciências Sociais pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa - ICS-UL (2007). Professora Associada na Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa (FAUL) e investigadora no Iscte - Instituto Universitário de Lisboa, Centro de Investigação e Estudos de Sociologia - Lisboa - Portugal. E-mail: mamendesster@gmail.com.
Olga Magano, Universidade Aberta (Uab), Lisboa
Doutorada em Sociologia pela Universidade Aberta (2011). Investigadora integrada no Iscte - Instituto Universitário de Lisboa, Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (Cies_Iscte) - Lisboa - Portugal. E-mail: olga.magano@uab.pt.

Referências

ABRANTES, P. et al. “A escola dos ciganos”: contributos para a compreensão do insucesso e da segregação escolar a partir de um estudo de caso. Configurações, Braga, v. 18, p. 47-66, 2016. DOI: https://doi.org/10.4000/configuracoes.3658. Disponível em: https://journals.openedition.org/configuracoes/pdf/3658. Acesso em: 13 jan. 2021.

BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2003.

CAETANO, P.; MENDES, M. Shaping ways of managing diversity in Portuguese schools, from the student`s perspective. International Review of Sociology: Revue Internationale de Sociologie, Roma, v. 24, n. 2, p. 325-344, 2014. DOI: https://doi.org/10.1080/03906701.2014.933027. Disponível em: https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/03906701.2014.933027. Acesso em: 24 dez. 2020.

CAETANO, P. J. C. Individuação e Reconhecimento: Processos de Socialização Política na Incerteza dos Itinerários Escolares. 2014. Tese (Doutorado) - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, 2014. Disponível em: https://run.unl.pt/handle/10362/11827. Acesso em: 21 abr. 2021.

CARR, W.; KEMMIS, S. Becoming critical: Education, knowledge and action research. London: Routledge, 1986.

CORCUFF, P. As novas sociologias: Construções da realidade social. 2. ed. Sintra: Vral, 2001.

DE CERTEAU, M. The practice of everyday life. Berkeley, CA: University of California Press, 1988.

DURKHEIM, E. Pacifisme et patriotisme. Bulletin de la Société Française de Philosophie, v. VIII, p. 44-67, 1908. Disponível em: http://classiques.uqac.ca/classiques/Durkheim_emile/sc_soc_et_action/texte_3_13/pacifisme_patriotisme.pdf. Acesso em: 29 dez. 2020.

DURKHEIM, E. L’éducation morale. Paris: Quadriges/PUF, 2012.

FRA. European Union Agency for Fundamental Rights. Second European Union Minorities and Discrimination Survey Roma: Selected findings, 2016. Disponível em: https://fra.europa.eu/en/publication/2016/second-european-union-minorities-and-discrimination-survey-roma-selected-findings. Acesso em: 12 jan. 2021.

FRA. European Union Agency for Fundamental Rights. Fundamental Rights Report 2017. Disponível em: http://fra.europa.eu/en/publications-and-resources/publications/annual-reports/fundamental-rights-2017#roma. Acesso em: 13 jan. 2021.

FREIRE, S. Um olhar sobre a inclusão. Revista da Educação, FCUL, Departamento de Educação, Lisboa, v. XVI, n. 1, p. 5-20, 2008. Disponível em: https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/5299/1/Um%20olhar%20sobre%20a%20Inclus%C3%A3o.pdf. Acesso em: 17 dez. 2020.

GARNIER, P. La socialisation en procès: conflits, enjeux et dynamiques. VEI Enjeux, Paria, v. 120, p. 9-17, 2000. Disponível em: http://www2.cndp.fr/revueVEI/120/garnier120.pdf. Acesso em: 5 jan. 2021.

HOLMWOOD, J. Functionalism and its critics. In: HARRINGTON, A. (ed.). Modern Social Theory: An Introduction. Oxford: Oxford University Press, 2005. p. 87-109.

JOAS, H. The Genesis of Values: Translated by Gregory Moore. Chicago: University of Chicago Press, 2000.

JOAS, H. La Créativité de l’Agir. Paris: Les Éditions du Cerf, 2008.

JOAS, H.; KNÖBL, W. Social Theory: Twenty Introductory Lectures. Cambridge, MA: Cambridge University Press, 2009.

KANT, I. Anthropology from a Pragmatic Point of View. Carbondale: SIU Press, 1996.

KÖNIG, C. et al. Scenario-based scales measuring cultural orientations of business owners. Journal of Evolutionary Economics, v. 17, n. 2, p. 211-239, 2007.

MACINTYRE, A. After virtue: A study in moral theory. 2. ed. Notre Dame, IL: University of Notre Dame Press, 1984.

MAGANO, O.; MENDES, M. Ciganos e Políticas sociais em Portugal. Sociologia, Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Porto, n. temático, p. 15-36, 2014. Disponível em: http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/12897.pdf. Acesso em: 26 dez. 2020.

MALEŠEVIC, S. The Sociology of Ethnicity. London: Sage, 2004.

MENDES, M.; MAGANO, O. (org.). Ciganos Portugueses: Olhares Plurais e Novos Desafios numa Sociedade em Transição. Lisboa: Mundos Sociais, 2013.

MISSAOUI, L. Reconstruction d'une catégorie sociale historique: «l'étranger de l'intérieur». Revue européenne des migrations internationales, Poitiers, v. 13, n. 3, p. 247-251, 1997. DOI: https://doi.org/10.3406/remi.1997.1576. Disponível em: https://www.persee.fr/doc/remi_0765-0752_1997_num_13_3_1576. Acesso em: 29 jan. 2021.

OGIEN, A.; QUÉRÉ, L. Vocabulaire de la sociologie de l’action. Paris: Ellipses, 2005.

PARSONS, T. The Structure of Social Action: A Study in Social Theory with Special Reference to a Group of Recent European Writers. 2. ed. New York: The Free Press, 1949.

RAMIREZ, R. et al. Scenarios as a scholarly methodology to produce “interesting research”. Futures, Amsterdam, v. 71, p. 70-87, Aug. 2015. DOI: https://doi.org/10.1016/j.futures.2015.06.006. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0016328715000841. Acesso em: 20 jan. 2021.

RICŒUR, P. Soi-même comme un autre. Paris: Seuil, 1990.

ROBERT, C. Les groupes tsiganes en France: éternels étrangers de l'intérieur?: affirmations culturelles et distanciation dans un contexte de rejet permanent. 2006. Thèse de doctorat en Sociologie, soutenue à Paris, 2009. Disponível em : http://www.theses.fr/2006PA100022. Acesso em: 22 jan. 2021.

RODAT, S. From Multiculturalism to Interculturation: Current Sociological Approaches. Social Sciences and Education Research Review, Craiova, v. 7, n. 1, p. 177-193, 2020. Disponível em: https://sserr.ro/archive/. Acesso em: 15 jan. 2021.

SAVIDAN, P. Le Républicanisme de Kant. In: CAPEILLERES, F.; BERNER, C. (dir.). Kant et les kantismes dans la philosophie contemporaine, 1804-2004. Villeneuve d’Ascq: Presses Universitaires du Septentrion, 2007. p. 43-65.

SILVA, M. C. Sina Social Cigana: História, Comunidades, Representações e Instituições. Lisboa: Edições Colibri, 2014.

SOULEZ, A. Le tournant grammatical chez Wittgenstein. Paris: Puf, 2004.

WEBER, M.; LEVINE, D. N. Georg Simmel as sociologist: Introduction by Donald N. Levine. Social Research, Baltimore, MD, v. 39, p. 155-163, Spring 1972. Disponível em: http://www.jstor.org/stable/40970086. Acesso em: 11 jan. 2021.

WITTGENSTEIN, L. Investigações Filosóficas. 2. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1995.

Publicado
25-08-2021
Como Citar
CAETANO, P. J.; MENDES, M. M.; MAGANO, O. Como acolher os estudantes Ciganos na escola pública? Do reconhecimento da alteridade a uma pluralidade de arranjos discriminatórios. Revista Vértices, v. 23, n. 3, p. 635-651, 25 ago. 2021.
Seção
Dossiê Temático: "Questões contemporâneas da educação no Brasil e em Portugal"