Ritos de passagem, de Paula Tavares: o lugar da (re)memória na construção de uma dicção poética feminina em Angola

Autores

  • Eliza de Souza Silva Araújo Universidade Federal Fluminense, Niterói/RJ
  • Ana Ximenes Gomes de Oliveira Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Açu/RN https://orcid.org/0000-0002-0598-063X

DOI:

https://doi.org/10.19180/1809-2667.v24n12022p69-83

Palavras-chave:

Oralidade, Memória, Rememória, Angolanidade, Paula Tavares

Resumo

Ritos de passagem, livro de estreia de Paula Tavares, inaugura uma nova dicção poética em uma Angola recém livre do domínio português (SECCO, 2011). Ao versar acerca do corpo feminino, Tavares visita a tradição com elementos camponeses e a poética da oralidade, ao mesmo tempo em que inaugura uma fala de um eu erótico feminino que recusa o silêncio colonial (MATA, 2009). Na sua poesia, a memória é articulada como ferramenta de (re)construção de sentido (NOA, 2015). Ocorre um encadeamento de fragmentos onde a poeta inventa sentidos para preencher as fissuras produzidas pela colonialidade, num exercício de articular uma rememória (MORRISON, 2019) poética. Ao construir a partir do corpo, dos frutos e dos ritos, o gênero tangencia a perspectiva e a voz poética apresentada nos textos. O feminino é tratado como conhecimento e o erótico (LORDE, 2007) como via de um entendimento de si e da criatividade que rege a poesia e a vida. Em poemas que dialogam com desenhos simples, de aspecto não finalizado e poucas cores, as partes do todo se conectam produzindo, imagem e poema, unidades textuais que traduzem a angolanidade, o feminino e uma epistemologia própria por onde compreender o corpo, o gênero, a cultura e a sociedade.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Eliza de Souza Silva Araújo, Universidade Federal Fluminense, Niterói/RJ

Doutora em Letras (Literatura, Crítica e Tradução) pelo Programa de Pós Graduação em Letras da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Professora Adjunta do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas (GLE) na Universidade Federal Fluminense – Niterói/RJ – Brasil. E-mail: elizaaraujo@id.uff.br.

Ana Ximenes Gomes de Oliveira , Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Açu/RN

Doutora em Literatura pela Universidade Federal da Paraíba (2020). Professora substituta do curso de Letras na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) – Açu/RN – Brasil. E-mail: ximenes06@gmail.com.

Referências

AVILA, M. R. A. de. Pela poesia de Ana Paula Tavares: vozes e ecos de Angola em África. 2010. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal do Rio Grande (FURG), 2010. Disponível em: http://repositorio.furg.br/bitstream/handle/1/4883/Mara+Regina+Avila+de+Avila.pdf;jsessionid=8E6ECD7F988B97E12D811C79906017C4?sequence=1. Acesso em: 3 jan. 2022.

FERREIRA, M. Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa II. Amadora: Livraria Bertrand, 1977.

LORDE, A. A poeta como professora - a humana como poeta - a professora como humana. In: LORDE, A. Sou sua irmã: escritos reunidos e inéditos. Tradução de Stephanie Borges. São Paulo: UBU, 2020.

LORDE, A. Uses of the erotic: the erotic as power. In: LORDE, A. Sister outsider: essays and speeches by Audre Lorde. New York: Crossing Press, 2007.

MATA, I. Recensões: TAVARES, Paula. Ritos de passagem. Lisboa: Caminho, 2007. 70 p. In: MATA, I. Recensões: TAVARES, Paula. Ritos de passagem. Navegações, Porto Alegre, v. 2, n. 1, p. 76-77, jan./jun. 2009. Disponível em: https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/navegacoes/article/view/5142. Acesso em: 14 set. 2021.

MATA, I. Mulheres de África no espaço da escrita: a inscrição da mulher na sua diferença”. In: MATA, I.; PADILHA, L. C. (org.). A mulher em África: Vozes de uma margem sempre presente. Lisboa: Edições Colibri, 2007.

MATA, I. Prefácio à edição portuguesa: passagem para a diferença. In: TAVARES, P. Amargos como os frutos: poesia reunida. Rio de Janeiro: Pallas, 2011.

MORRISON, T. Rememory. In: MORRISON, T. The source of self-regard: selected essays, speeches and meditations. New York: Knopf, 2019.

NOA, F. Perto do fragmento, a totalidade. Belo Horizonte: Kapulana, 2015.

OLIVER, M. A poetry handbook: a prose guide to understanding and writing poetry. New York: Mariner Books, 1994.

PAZ, O. O arco e a lira. Tradução de Olga Salvary. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.

RIBEIRO, M. C. Poder e conhecimento na poesia de Ana Paula Tavares. In: SECCO, C. T.; SALGADO, M. T.; JORGE, S. R. (org.). África, escritas literárias: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe. Rio de Janeiro: Editora UFRJ; Angola: UEA, 2010.

SECCO, C. L. T. As veias pulsantes da terra e da poesia: posfácio. In: TAVARES, P. Amargos como os frutos: poesia reunida. Rio de Janeiro: Pallas, 2011. p. 261-281.

TAVARES, P. Amargos como os frutos: poesia reunida. Rio de Janeiro: Pallas, 2011.

Publicado

04-04-2022

Como Citar

ARAÚJO, E. de S. S. .; OLIVEIRA , A. X. G. de . Ritos de passagem, de Paula Tavares: o lugar da (re)memória na construção de uma dicção poética feminina em Angola. Revista Vértices, [S. l.], v. 24, n. 1, p. 69–83, 2022. DOI: 10.19180/1809-2667.v24n12022p69-83. Disponível em: https://essentiaeditora.iff.edu.br/index.php/vertices/article/view/16314. Acesso em: 3 out. 2022.

Edição

Seção

Dossiê Temático: "Literaturas africanas de língua portuguesa"